Infecção de pele recorrente: o que pode ser e quando procurar um especialista?
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Atualizado: 22 de ago.

Uma infecção de pele que não melhora, volta depois do tratamento ou aparece várias vezes merece ser investigada. Em algumas situações, o problema está relacionado ao tratamento escolhido. Em outras, existe um abscesso que precisa ser drenado, uma doença de pele que está sendo confundida com uma infecção ou algum fator que favorece novos episódios.
Por isso, quando uma infecção permanece por mais tempo do que o esperado ou volta depois de aparentemente resolvida, é importante reavaliar o diagnóstico e entender o que está favorecendo a recorrência.
Neste artigo, explico as principais causas de infecção de pele persistente ou recorrente, os exames que podem ser necessários e quando vale a pena procurar um dermatologista ou infectologista.
O que significa ter uma infecção de pele recorrente?
Uma infecção de pele pode ser considerada persistente quando não apresenta melhora adequada durante o tratamento ou quando a lesão continua inflamada, dolorida ou com secreção.
Já a infecção recorrente é aquela que volta depois de um período de melhora ou que acontece repetidamente ao longo do tempo.
Isso pode acontecer, por exemplo, com furúnculos e abscessos, celulites, erisipelas e algumas infecções fúngicas.
Também é possível que uma lesão tratada inicialmente como infecção continue presente porque a causa seja outra. Dermatites, hidradenite supurativa, úlceras e algumas doenças inflamatórias da pele podem apresentar vermelhidão, dor, secreção ou feridas e, por isso, serem confundidas com uma infecção.
Por que uma infecção de pele não melhora?
Existem várias possibilidades e a avaliação depende das características da lesão, do tratamento já realizado e da história clínica.
O diagnóstico pode estar errado
Nem toda alteração avermelhada, dolorida ou com descamação é causada por uma bactéria.
Quando uma lesão não responde ao tratamento esperado, uma das primeiras medidas é reconsiderar o diagnóstico. Às vezes, a pessoa está tratando repetidamente uma doença dermatológica ou inflamatória como se fosse uma infecção.
Esse cuidado é particularmente importante quando a lesão permanece por semanas, volta sempre no mesmo lugar ou apresenta pouca resposta aos tratamentos anteriores.
Pode haver um abscesso

Abscesso é uma coleção de pus dentro do tecido. Quando ele está presente, o tratamento pode precisar incluir drenagem.
Nessas situações, apenas tomar um antibiótico pode não resolver o problema. Em abscessos recorrentes, principalmente quando surgem repetidamente na mesma região, também é importante procurar uma causa local.
Dependendo do local e das características da lesão, podem existir condições como hidradenite supurativa, cisto pilonidal ou corpo estranho.
Quando há material purulento, a cultura pode ajudar a identificar a bactéria envolvida e orientar o tratamento.
A bactéria pode ser resistente ao antibiótico
As bactérias apresentam diferentes padrões de sensibilidade aos antibióticos. Por isso, uma infecção que não melhora pode, em determinadas situações, estar relacionada à resistência bacteriana.
Essa não é, porém, a única explicação para uma falha de tratamento. Também é preciso considerar se o diagnóstico está correto, se existe um abscesso, se o medicamento escolhido é apropriado para aquele tipo de infecção e se há algum fator dificultando a cicatrização.
O uso anterior de antibióticos é uma informação importante para a avaliação médica, principalmente quando já houve vários tratamentos ou quando a infecção voltou depois de uma melhora inicial.
A pele pode estar favorecendo novas infecções
A pele é uma barreira de proteção contra microrganismos. Quando essa barreira está comprometida, o risco de infecção aumenta.
Fissuras, feridas, eczema, micoses, atrito frequente e traumatismos podem facilitar a entrada de bactérias.
O edema também tem importância. Pessoas com linfedema, por exemplo, podem apresentar episódios repetidos de celulite. Insuficiência venosa e outras alterações circulatórias também podem contribuir para a recorrência.
Por esse motivo, tratar apenas a infecção pode não ser suficiente. É preciso cuidar também da condição que está favorecendo o problema.
Algumas doenças aumentam o risco de infecção
Diabetes, obesidade, doenças que provocam edema e algumas condições que comprometem o sistema imunológico podem aumentar o risco de determinadas infecções ou dificultar sua resolução.
O uso de medicamentos imunossupressores também deve ser levado em consideração.
Isso não significa que uma pessoa com infecções recorrentes tenha necessariamente alguma deficiência de imunidade. Na prática, fatores locais e doenças mais comuns precisam ser avaliados antes de se pensar em alterações imunológicas específicas.
Pode existir colonização por bactérias
O Staphylococcus aureus pode viver na pele ou nas narinas de pessoas saudáveis sem provocar doença. Esse fenômeno é chamado de colonização.
Em algumas pessoas, entretanto, a bactéria está associada a infecções cutâneas recorrentes. O MRSA, que é uma cepa de S. aureus resistente a determinados antibióticos, é uma das possibilidades.
A aparência da lesão não permite saber se uma infecção é causada por MRSA. Quando essa informação é relevante, a identificação da bactéria e o teste de sensibilidade aos antibióticos podem orientar a conduta.
Quais infecções de pele podem voltar?
Alguns tipos de infecção têm maior tendência a recorrência, especialmente quando permanecem fatores que favorecem o problema.
Furúnculos e abscessos
Furúnculos e abscessos que aparecem várias vezes precisam ser avaliados com atenção.
Quando o problema ocorre sempre no mesmo lugar, é importante procurar alguma alteração naquela região. Hidradenite supurativa, cisto pilonidal e corpo estranho são alguns exemplos de situações que podem estar por trás de abscessos repetidos.
Em abscessos recorrentes, a cultura do material drenado também pode ser útil para identificar o microrganismo envolvido.
Celulite e erisipela
Celulite e erisipela são infecções que atingem camadas mais profundas da pele e do tecido subcutâneo.
Quando os episódios se repetem, a avaliação deve incluir fatores que favorecem a recorrência. Edema, linfedema, insuficiência venosa, eczema, obesidade e alterações entre os dedos dos pés são alguns deles.
Controlar essas condições ajuda a reduzir a ocorrência de novos episódios.
Micoses que voltam depois do tratamento
Infecções fúngicas também podem reaparecer.
A umidade, alterações da barreira da pele e outros fatores locais podem contribuir para a persistência ou recorrência. Em alguns casos, é necessário confirmar novamente o diagnóstico antes de repetir o tratamento.
Uma lesão que melhora parcialmente e volta depois do uso de um antifúngico merece nova avaliação.
Feridas que parecem infectadas
Uma ferida que permanece aberta, dolorida ou avermelhada por muito tempo não necessariamente está infectada.
Problemas circulatórios, diabetes, pressão prolongada, doenças inflamatórias e outras alterações podem dificultar a cicatrização.
Quando uma ferida não evolui como esperado, é importante identificar a causa antes de continuar utilizando medicamentos para uma suposta infecção.
Infecção de pele que volta sempre no mesmo lugar
A localização da lesão pode dar pistas importantes sobre a causa.
Um abscesso que reaparece exatamente na mesma região, por exemplo, merece uma investigação diferente de várias infecções que surgem em locais distintos.
Dependendo do caso, o médico pode procurar:
cisto pilonidal;
hidradenite supurativa;
corpo estranho;
alterações estruturais;
doença dermatológica;
problemas relacionados à cicatrização;
algum foco de infecção persistente.
A hidradenite supurativa merece atenção especial porque pode ser confundida durante muito tempo com furúnculos de repetição. Ela costuma provocar nódulos dolorosos e abscessos recorrentes, principalmente nas axilas, virilhas e outras áreas de atrito.
Infecção de pele recorrente significa baixa imunidade?
Essa é uma preocupação frequente, mas a recorrência de infecções de pele, isoladamente, não significa que exista um problema de imunidade.
Antes de investigar uma deficiência imunológica, é necessário avaliar situações mais comuns. Diabetes, doenças dermatológicas, edema, alterações da circulação, micoses, hidradenite supurativa e outros fatores locais podem explicar muitos casos.
A investigação imunológica depende do conjunto da história clínica. A frequência e a gravidade das infecções, a idade em que começaram, os locais acometidos e a presença de outros tipos de infecção ajudam a definir quando essa avaliação é necessária.
Quais exames podem ser necessários?
Os exames dependem do tipo de infecção e da evolução do quadro. Não existe uma investigação única para todos os pacientes.
Cultura e antibiograma
Quando existe pus ou secreção, a cultura pode identificar a bactéria responsável e mostrar quais antibióticos apresentam atividade contra ela.
Esse exame tem particular importância em abscessos recorrentes. Já nas celulites típicas, a cultura não costuma ser necessária de rotina.
Exames de sangue
Podem ser solicitados quando existe suspeita de alguma condição que esteja favorecendo as infecções ou quando o quadro é mais extenso ou acompanhado de sintomas sistêmicos.
A avaliação pode incluir, por exemplo, investigação de diabetes e outros exames definidos de acordo com a história do paciente.
Exames de imagem
Quando existe dúvida sobre um abscesso ou suspeita de acometimento mais profundo, exames como a ultrassonografia podem ajudar.
Em situações específicas, outros exames de imagem podem ser necessários.
Biópsia
Uma lesão persistente ou de diagnóstico incerto pode precisar de biópsia.
O objetivo é diferenciar uma infecção de outras doenças que podem apresentar aparência semelhante. A indicação depende da avaliação clínica e não faz parte da investigação de todas as infecções de pele.
Dermatologista ou infectologista: quem procurar?

Essa dúvida é bastante comum porque os dois especialistas podem participar do tratamento de uma infecção de pele.
Quando o dermatologista pode ser o mais indicado?
O dermatologista é o especialista em doenças da pele e pode avaliar tanto infecções quanto doenças inflamatórias, alérgicas e outras condições que podem se parecer com uma infecção.
A consulta é especialmente importante quando existe dúvida sobre o diagnóstico ou quando a lesão permanece apesar dos tratamentos realizados.
Quando procurar um infectologista?
O infectologista pode contribuir principalmente quando a infecção é recorrente, persistente, complicada ou de difícil diagnóstico.
Algumas situações em que essa avaliação pode ser útil são:
infecção que não melhora como esperado;
episódios que voltam depois do tratamento;
abscessos recorrentes;
necessidade de investigar uma bactéria específica;
suspeita de resistência aos antibióticos;
uso repetido de antimicrobianos;
febre ou outros sintomas sistêmicos;
suspeita de infecção mais profunda;
presença de uma doença que aumenta o risco de infecções.
A consulta com o infectologista permite avaliar a evolução do quadro, os tratamentos já utilizados, os exames disponíveis e os fatores que podem estar contribuindo para a recorrência. Entenda quando procurar um infectologista para uma infecção de pele que não melhora.
É possível precisar dos dois especialistas?
Sim.
Em alguns casos, a avaliação conjunta é a melhor opção. O dermatologista pode identificar uma doença da pele que esteja favorecendo as infecções, enquanto o infectologista pode ajudar na investigação microbiológica e no tratamento da infecção.
Dependendo da situação, outros profissionais também podem participar do cuidado.
Infecção de pele que não melhora ou continua voltando?
Se você já passou por tratamentos e a infecção persiste, retorna ou apresenta episódios repetidos, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar a causa e definir os próximos passos.
O que o infectologista avalia em uma infecção de pele recorrente?
Durante a consulta, é importante entender como as infecções acontecem e o que acontece entre um episódio e outro.
O médico pode perguntar há quanto tempo os episódios começaram, onde aparecem, com que frequência acontecem e se sempre surgem na mesma região.
Também são relevantes os medicamentos utilizados anteriormente, a duração dos tratamentos, a resposta obtida e os resultados de culturas ou outros exames.
A presença de diabetes, edema, doenças de pele, cirurgias anteriores, traumatismos e uso de medicamentos que interferem no sistema imunológico também pode modificar a investigação.
A partir dessas informações, é possível decidir se são necessários novos exames e qual tratamento faz mais sentido para aquele caso.
Toda infecção de pele precisa de antibiótico?
Não.
Existem infecções causadas por diferentes microrganismos, como bactérias, fungos e vírus, e cada situação exige uma abordagem específica.
Mesmo entre as infecções bacterianas, o tratamento pode variar. Alguns abscessos precisam principalmente de drenagem. Em outras situações, o antibiótico é necessário.
Por isso, não é seguro escolher um antibiótico apenas pela aparência da lesão ou repetir um medicamento que foi utilizado em uma infecção anterior.
O uso desnecessário de antibióticos também pode causar efeitos adversos e favorecer a seleção de bactérias resistentes.
O que fazer quando a infecção de pele não melhora?
O primeiro passo é procurar uma nova avaliação médica.
Informe quais medicamentos foram utilizados, por quanto tempo e se houve melhora durante o tratamento. Se você tiver resultados de culturas, exames de sangue ou exames de imagem anteriores, leve-os à consulta.
Enquanto isso, evite espremer ou manipular a lesão. Também não é recomendado trocar o antibiótico, reiniciar um tratamento antigo ou utilizar sobras de medicamentos sem orientação.
Em uma infecção que não está evoluindo bem, descobrir a causa pode ser mais importante do que simplesmente trocar o medicamento.
Como prevenir novas infecções de pele?
A prevenção depende do motivo pelo qual as infecções estão voltando.
Algumas medidas podem fazer diferença:
tratar doenças dermatológicas que comprometem a barreira da pele;
controlar adequadamente o diabetes, quando presente;
tratar micoses dos pés;
cuidar do edema ou linfedema;
evitar traumatismos e atrito repetidos;
manter a pele limpa e seca;
proteger feridas de acordo com a orientação recebida;
não compartilhar toalhas, lâminas e outros objetos pessoais;
seguir corretamente o tratamento prescrito.
Nas pessoas que apresentam celulite recorrente, o tratamento de condições como edema, eczema, insuficiência venosa e alterações nos pés faz parte da prevenção.
Em casos selecionados, quando os episódios continuam apesar dessas medidas, o médico pode considerar outras estratégias, inclusive profilaxia antibiótica.
Descolonização pode ser necessária?
Em algumas pessoas com infecções recorrentes por Staphylococcus aureus, o pode ser considerado uma estratégia de descolonização.
Dependendo do caso, ela pode envolver medidas específicas para reduzir a presença da bactéria na pele e nas narinas, além de cuidados com objetos pessoais.
Esse tipo de tratamento não deve ser iniciado por conta própria. A indicação depende da história clínica, do padrão das infecções e, quando disponível, dos resultados microbiológicos.
Quando uma infecção de pele precisa de atendimento rápido?
Algumas características indicam que a infecção precisa ser avaliada rapidamente.
Procure atendimento médico se houver febre, calafrios, piora rápida da vermelhidão ou do inchaço, dor intensa, bolhas, mudança importante na cor da pele, perda de sensibilidade ou alteração do estado geral.
Também é importante procurar atendimento rapidamente quando uma lesão está se espalhando de forma acelerada ou quando a dor é muito intensa em relação ao que pode ser observado na pele.
Esses sinais podem estar presentes em infecções mais profundas e graves, que precisam de tratamento hospitalar.
Perguntas frequentes
Por que minha infecção de pele sempre volta?
Existem várias possibilidades. O problema pode estar relacionado a um abscesso persistente, uma doença dermatológica, hidradenite supurativa, diabetes, edema, alterações da barreira da pele ou outros fatores. A investigação depende do tipo e do padrão das infecções.
Qual médico trata infecção de pele recorrente?
Dermatologista e infectologista podem tratar infecções de pele. O dermatologista é especialmente importante quando existe dúvida sobre uma doença da pele. O infectologista pode ser indicado quando a infecção é recorrente, persistente, complicada ou de difícil diagnóstico.
Infecção de pele que não melhora pode ser resistência ao antibiótico?
Pode, mas essa é apenas uma das possibilidades. Também é necessário considerar diagnóstico incorreto, presença de abscesso, tratamento inadequado ou algum fator que esteja dificultando a cicatrização.
É preciso fazer cultura em toda infecção de pele?
Não. A cultura pode ser bastante útil em determinadas situações, especialmente em abscessos recorrentes. Nas celulites típicas, ela não costuma fazer parte da investigação de rotina.
Infecção de pele recorrente pode indicar baixa imunidade?
Pode acontecer, mas não é a explicação mais comum. Diabetes, doenças da pele, edema, alterações circulatórias e outros fatores precisam ser avaliados primeiro.
Posso usar novamente o mesmo antibiótico que funcionou antes?
Não é recomendado fazer isso sem avaliação médica. O novo episódio pode ter outra causa ou exigir uma abordagem diferente.
Uma ferida que não cicatriza é sempre uma infecção?
Não. Uma ferida persistente também pode estar relacionada a problemas circulatórios, diabetes, pressão, inflamação ou outras condições. É importante descobrir por que a cicatrização não está acontecendo.
Quando procurar avaliação para uma infecção de pele recorrente?
Uma infecção de pele que persiste ou volta várias vezes merece uma avaliação que vá além do tratamento do episódio atual.
O médico precisa observar a lesão, entender como os episódios acontecem e verificar se existe algum fator mantendo o problema. Em alguns casos, será necessário colher material para cultura, fazer exames ou investigar uma doença de pele que até então não havia sido identificada.
Se a infecção está voltando, se não melhora como esperado ou se você já precisou usar vários tratamentos, procure avaliação médica. Quanto mais claro estiver o motivo da recorrência, maior a possibilidade de escolher um tratamento adequado e evitar novos episódios.
Sua infecção de pele continua voltando?
Se você já utilizou tratamentos anteriores e o problema persiste ou reaparece, procure uma avaliação médica para investigar a causa.




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