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Infecções em pessoas imunossuprimidas: o que você precisa saber

Foto do escritor: Dra. Danielle Tavares
Dra. Danielle Tavares
há 14 horas
5 min de leitura

Pessoas imunossuprimidas apresentam maior risco de desenvolver infecções e, em alguns casos, podem ter maior dificuldade para controlar uma infecção já existente.

Esse risco não é igual para todos. Ele depende da causa da imunossupressão, do tipo de defesa do organismo afetada, da intensidade do tratamento e do tempo de exposição.

Por isso, entender quem é considerado imunossuprimido e quais infecções podem ocorrer é importante para prevenção, diagnóstico e tratamento adequado.


O que significa ser imunossuprimido?

Uma pessoa imunossuprimida é aquela cujo sistema imunológico não consegue montar uma resposta adequada contra determinados agentes infecciosos.

A imunossupressão pode acontecer por causa de uma doença ou como consequência de tratamentos que interferem no funcionamento do sistema imunológico.

A intensidade da imunossupressão varia de uma pessoa para outra. Por isso, o risco de infecção também é individualizado.


Quem é considerado imunossuprimido?


Pessoas e condições que podem causar imunossupressão, incluindo câncer, transplante, HIV e uso de medicamentos imunossupressores.
A imunossupressão pode estar relacionada a doenças, transplantes, tratamentos imunossupressores e terapias celulares.

Não existe apenas uma situação que define quem é considerado imunossuprimido. O grau de comprometimento da imunidade também pode variar de acordo com a doença e o tratamento utilizado. 


Entre os grupos que podem apresentar imunossupressão estão pessoas com:

  • neoplasias em tratamento ativo;

  • leucemias, linfomas e mieloma;

  • transplante de órgão sólido;

  • transplante de células-tronco hematopoéticas;

  • tratamento com CAR-T;

  • HIV avançado ou não tratado;

  • imunodeficiências primárias moderadas ou graves;

  • uso prolongado de medicamentos imunossupressores.


Alguns medicamentos também podem aumentar significativamente o risco de infecções. Entre eles estão corticoides, agentes quimioterápicos, inibidores de TNF e medicamentos que reduzem os linfócitos B, como o rituximabe.

Ter uma doença crônica, como diabetes, obesidade ou doença renal, não significa necessariamente ser imunossuprimido. Essas condições, entretanto, podem aumentar o risco de algumas infecções.


Ser imunossuprimido é a mesma coisa que ter baixa imunidade?

No uso cotidiano, os termos “imunossuprimido” e “baixa imunidade” costumam ser usados para descrever uma redução da capacidade de defesa do organismo.

Na medicina, porém, imunossupressão é um conceito mais específico.

Ter resfriados frequentes, por exemplo, não significa necessariamente que exista imunossupressão. É preciso avaliar se há uma doença ou tratamento capaz de comprometer a resposta imunológica.

A imunossupressão também pode afetar diferentes partes do sistema imunológico. Uma pessoa pode apresentar maior comprometimento da imunidade celular, da produção de anticorpos ou de outros mecanismos de defesa.


Imunossupressão aumenta o risco de infecções?

Sim.

A imunossupressão aumenta a suscetibilidade a infecções. Em algumas situações, também aumenta o risco de infecções mais graves, hospitalização e complicações.

O tipo de imunossupressão é importante porque diferentes mecanismos de defesa protegem contra diferentes microrganismos.

Por exemplo:

  • a neutropenia aumenta o risco de determinadas infecções bacterianas e fúngicas;

  • alterações da imunidade celular favorecem infecções como pneumocistose, algumas infecções virais, micobacterioses e determinadas infecções fúngicas;

  • alterações na produção de anticorpos aumentam a suscetibilidade a algumas bactérias, especialmente as encapsuladas;

  • medicamentos que interferem no TNF-α (ex. Adalimumabe e Infliximabe) estão associados a maior risco de tuberculose e outras infecções granulomatosas;

  • medicamentos anti-CD20, como o rituximabe, podem favorecer a reativação da hepatite B e outros problemas relacionados à redução dos linfócitos B.

O risco varia bastante conforme o medicamento utilizado. Os imunobiológicos aumentam o risco de infecções? A resposta depende do mecanismo de ação, da dose, da duração do tratamento e das características da pessoa. 

Por isso, não basta saber que uma pessoa é imunossuprimida. É necessário entender qual é a causa e qual o grau dessa imunossupressão.


Relação entre tipos de imunossupressão e os principais grupos de microrganismos associados ao risco de infecção.
O tipo de imunossupressão influencia o risco de infecção. Diferentes alterações da resposta imunológica estão associadas a diferentes grupos de microrganismos.

Quais infecções são mais comuns em pessoas imunossuprimidas?

As pessoas imunossuprimidas continuam suscetíveis às infecções comuns da comunidade e do ambiente hospitalar.

Além delas, algumas podem desenvolver infecções chamadas oportunistas, que são mais frequentes ou mais graves quando determinados mecanismos de defesa estão comprometidos.


Principais grupos de infecções em pessoas imunossuprimidas: pulmonares, virais, bacterianas, fúngicas e parasitárias.
Principais infecções que podem ocorrer em pessoas imunossuprimidas. O risco varia conforme a causa e a intensidade da imunossupressão.

As principais categorias incluem:


Infecções pulmonares

São especialmente importantes porque estão entre as principais causas de complicações em pessoas imunossuprimidas.

Podem ocorrer:

  • pneumonias bacterianas;

  • pneumocistose;

  • aspergilose;

  • mucormicose;

  • infecções por vírus respiratórios.


Infecções virais

Alguns vírus podem permanecer no organismo durante anos e voltar a se multiplicar quando a imunidade é reduzida.

Entre eles estão:

  • citomegalovírus (CMV);

  • herpes simples (HSV);

  • vírus varicela-zóster (VZV);

  • vírus Epstein-Barr (EBV).


Infecções bacterianas

Além das bactérias comuns, algumas bactérias oportunistas podem causar infecções graves, como:

  • Mycobacterium tuberculosis;

  • Nocardia;

  • Pseudomonas aeruginosa.


Infecções fúngicas

Podem ser causadas por fungos como:

  • Candida;

  • Aspergillus;

  • Cryptococcus.


Infecções parasitárias

Alguns parasitas também podem representar risco aumentado, especialmente em determinadas condições de imunossupressão.

Entre eles estão:

  • Toxoplasma gondii;

  • Strongyloides stercoralis.


Infecções latentes também podem voltar

Um aspecto importante da imunossupressão é o risco de reativação de infecções que estavam controladas no organismo.

A tuberculose é um dos principais exemplos. O risco de reativação é particularmente relevante em pessoas que utilizarão determinados imunossupressores, como os inibidores de TNF-α.

A hepatite B também merece atenção. Alguns tratamentos, especialmente aqueles que provocam depleção de células B, podem levar à reativação do vírus em pessoas que tiveram contato prévio com o HBV.

Por esse motivo, dependendo do tratamento planejado, pode ser necessário investigar tuberculose, hepatite B, HIV, estrongiloidíase e outras infecções antes de iniciar a imunossupressão.

Antes de iniciar um imunobiológico, alguns exames podem ser necessários para identificar infecções prévias ou latentes.


É possível prevenir essas infecções?

Em muitos casos, sim.

Estratégias de prevenção de infecções antes e durante a imunossupressão, incluindo vacinação, investigação de infecções latentes e profilaxia.
Prevenção de infecções em pessoas imunossuprimidas. A avaliação do risco e algumas medidas preventivas podem começar antes do tratamento imunossupressor.

A prevenção deve começar antes ou no início do tratamento imunossupressor, quando possível.


As medidas podem incluir:

  • vacinação em pessoas imunossuprimidas;

  • investigação de infecções latentes;

  • tratamento ou profilaxia quando indicado;

  • acompanhamento de sinais e sintomas;

  • prevenção de exposições específicas;

  • monitoramento durante períodos de maior risco.


Em determinadas situações, medicamentos preventivos podem ser indicados. A profilaxia depende do tipo de imunossupressão e do risco individual.

Por exemplo, alguns pacientes com alto risco de pneumocistose podem precisar de sulfametoxazol-trimetoprima. Pessoas submetidas a determinados transplantes ou tratamentos hematológicos também podem necessitar de profilaxias antivirais, antifúngicas ou antibacterianas.


Quando uma infecção exige atenção?

Em pessoas imunossuprimidas, sintomas aparentemente comuns podem merecer uma avaliação mais cuidadosa.

Febre, tosse, falta de ar, lesões na pele, diarreia, dor ao urinar ou outros sinais de infecção devem ser avaliados considerando o tipo de imunossupressão e os medicamentos utilizados.

Isso é especialmente importante porque a apresentação de uma infecção pode ser diferente em uma pessoa imunossuprimida. Além disso, algumas infecções podem evoluir rapidamente.

Quando há suspeita de infecção grave, o diagnóstico e o início do tratamento não devem ser desnecessariamente atrasados.


O risco de infecção é igual durante todo o tratamento?

Não.

O risco pode mudar de acordo com o momento e com a intensidade da imunossupressão.

Isso é particularmente evidente em pessoas submetidas a transplante. No primeiro mês, por exemplo, são mais relevantes algumas infecções relacionadas à internação, cirurgia, cateteres e condições pré-existentes.

Entre o primeiro e o sexto mês, as infecções oportunistas e as reativações de infecções latentes ganham maior importância.

Depois desse período, as infecções comunitárias tornam-se mais frequentes, embora infecções oportunistas ainda possam ocorrer quando a imunossupressão permanece intensa.


O acompanhamento do infectologista pode ajudar na prevenção

Ser imunossuprimido não significa necessariamente que a pessoa terá uma infecção grave.

O risco pode ser reduzido quando a imunossupressão é conhecida, as infecções latentes são investigadas quando indicado, as vacinas são adequadamente planejadas e os sinais de infecção são reconhecidos precocemente.

A avaliação deve considerar a doença de base, o tratamento utilizado, o grau de imunossupressão, o histórico de infecções e os riscos individuais.

Se você utiliza medicamentos imunossupressores ou imunobiológicos, está em tratamento oncológico ou foi submetido a transplante, a avaliação do risco infeccioso pode fazer parte do planejamento do seu tratamento.


Este conteúdo foi elaborado pela Dra. Danielle Tavares, médica infectologista, com base em referências científicas e recomendações de sociedades médicas e órgãos de saúde. O conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação médica individualizada.

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