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O que é imunossupressão?

Foto do escritor: Dra. Danielle Tavares
Dra. Danielle Tavares
há 4 horas
5 min de leitura

Imunossupressão é a redução ou o comprometimento da função do sistema imunológico, diminuindo a capacidade de defesa do organismo e aumentando o risco de infecções, incluindo infecções oportunistas, reativação de infecções latentes e algumas neoplasias. 

Esse aumento da vulnerabilidade às infecções é especialmente importante quando a imunossupressão é mais intensa ou envolve mecanismos específicos da resposta imunológica. Para entender melhor quais infecções podem ocorrer, como elas se manifestam e quais cuidados são importantes, veja também: Infecções em pessoas imunossuprimidas: o que você precisa saber


Ilustração do sistema imunológico e da imunossupressão
Imunossupressão é a redução ou o comprometimento da função do sistema imunológico, aumentando a suscetibilidade a algumas infecções.

O que significa estar imunossuprimido?

Uma pessoa imunossuprimida apresenta algum grau de comprometimento da resposta do sistema imunológico.

Mas quem é considerado imunossuprimido? Essa definição depende da doença, do tratamento utilizado e do grau de comprometimento da resposta imunológica. 

O sistema imunológico é formado por diferentes componentes, entre eles os linfócitos T e B, fagócitos e o sistema complemento. Quando um ou mais desses mecanismos são comprometidos, a capacidade do organismo de reconhecer, controlar e eliminar determinados agentes infecciosos pode diminuir.

O termo imunossupressão é amplo e pode descrever situações bastante diferentes entre si. O grau de comprometimento da imunidade e o tipo de resposta imunológica afetada influenciam diretamente o risco de infecção.


Imunossupressão, imunocomprometimento e imunodeficiência são a mesma coisa?

Embora esses termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, existem algumas diferenças.

  • Imunossupressão: descreve, de forma ampla, uma redução da função imunológica associada a maior risco de infecção.

  • Imunocomprometimento: costuma ser utilizado para indicar maior suscetibilidade a infecções, especialmente infecções oportunistas.

  • Imunodeficiência: refere-se propriamente a um distúrbio da defesa imunológica, que pode ser primário ou secundário.


Na prática clínica, entretanto, esses termos podem aparecer de maneira intercambiável, dependendo do contexto.


O que acontece quando o sistema imunológico está comprometido?

A principal consequência da imunossupressão é o aumento da suscetibilidade a determinadas infecções.

Uma pessoa imunossuprimida pode apresentar maior risco de infecções bacterianas, virais e fúngicas, inclusive por microrganismos que normalmente são controlados com facilidade pelo sistema imunológico.

Também pode ocorrer a reativação de infecções latentes. Tuberculose, varicela e hepatite B são alguns exemplos de infecções que podem exigir investigação antes do início de determinadas terapias imunossupressoras.

Outro ponto importante é que a imunossupressão pode modificar a apresentação clínica de uma infecção. Como alguns tratamentos reduzem a resposta inflamatória, os sinais e sintomas podem ser menos evidentes, dificultando o reconhecimento precoce de uma infecção.


O tipo de deficiência imunológica também influencia quais infecções são mais prováveis. Por exemplo:

  • a neutropenia prolongada aumenta a predisposição a infecções bacterianas e fúngicas;

  • o comprometimento das células T está associado a maior risco de infecções por herpesvírus, Pneumocystis e micobactérias;

  • alterações da imunidade humoral, como as observadas em algumas doenças hematológicas ou após depleção de células B, aumentam a suscetibilidade a bactérias encapsuladas.


Em determinados grupos, a imunossupressão também está associada a maior risco de algumas neoplasias, o que pode justificar estratégias específicas de vigilância.


Quais são as causas de imunossupressão?

As causas de imunossupressão podem ser divididas, de maneira geral, em duas grandes categorias: induzida por doença e induzida por terapia.

Imunossupressão causada por doenças

Algumas doenças podem comprometer diretamente o funcionamento do sistema imunológico.

Entre as situações descritas estão:

  • leucemias;

  • linfomas;

  • mieloma múltiplo;

  • alguns tumores sólidos;

  • infecção pelo HIV;

  • imunodeficiências primárias;

  • doenças autoimunes e inflamatórias;

  • transplante de órgãos sólidos;

  • transplante de células-tronco.


Outras condições também podem contribuir para alterações da resposta imunológica, como extremos de idade, gravidez, cirurgia e sepse. Doenças renais crônicas e cirrose hepática também podem comprometer diferentes mecanismos da defesa imunológica.


Imunossupressão causada por medicamentos e tratamentos

A imunossupressão induzida por tratamento é uma das causas mais frequentes em adultos.

Quais medicamentos podem causar imunossupressão? Diversos medicamentos utilizados no tratamento de doenças inflamatórias, autoimunes, neoplasias e após transplantes podem reduzir a resposta imunológica. Entre eles estão os glicocorticoides, imunossupressores convencionais, terapias biológicas e algumas terapias celulares. 


Entre os medicamentos e terapias que podem comprometer a resposta imunológica estão:

  • glicocorticoides (ex.: prednisona);

  • azatioprina;

  • metotrexato;

  • micofenolato;

  • ciclofosfamida;

  • tacrolimo;

  • ciclosporina;

  • sirolimo;

  • everolimo;

  • agentes anti-CD20 (ex.: Rituximabe);

  • medicamentos anti-TNF (ex.: Adalimumabe);

  • inibidores de IL-6 (ex.: Tocilizumabe);

  • inibidores de JAK (ex.: Baricitinibe);

  • alentuzumabe;

  • terapias celulares, como CAR-T e anticorpos biespecíficos.


Os imunobiológicos merecem atenção porque diferentes classes atuam sobre componentes específicos do sistema imunológico e podem modificar o risco de determinadas infecções. Imunobiológicos aumentam o risco de infecções? O risco depende do medicamento, da doença tratada, da dose, da duração do tratamento e de outros fatores individuais. 

Os glicocorticoides são um exemplo importante. O efeito imunossupressor está relacionado à dose e ao tempo de exposição. Com risco relevante especialmente com doses mais elevadas e tratamentos prolongados, embora doses menores utilizadas por períodos longos também possam aumentar o risco.

Em algumas situações, diferentes medicamentos são utilizados simultaneamente. Isso ocorre, por exemplo, em determinados esquemas após transplantes, podendo intensificar o grau de imunossupressão.


Por que a imunossupressão pode ser necessária?

A imunossupressão nem sempre representa um efeito indesejado. Em determinadas situações, ela é produzida intencionalmente por medicamentos para alcançar um objetivo terapêutico.

Um dos principais exemplos é o transplante de órgãos. A redução controlada da resposta imunológica ajuda a prevenir a rejeição do órgão transplantado.

Medicamentos imunossupressores também podem ser utilizados no tratamento de doenças inflamatórias crônicas e doenças autoimunes, nas quais uma resposta imunológica inadequada participa do processo da doença.

Nesse contexto, o objetivo do tratamento é encontrar um equilíbrio entre controlar a doença e preservar uma resposta imunológica suficiente para reduzir o risco de complicações infecciosas.


Toda imunossupressão tem o mesmo grau?

Não. O grau de imunossupressão pode variar de acordo com a doença, o tratamento e o tipo de resposta imunológica comprometida.

Pode ser classificado em leve, moderado e grave, considerando o comprometimento da imunidade e o risco associado de infecção. Entre os marcadores que podem ser utilizados estão a contagem de linfócitos, a expressão de HLA-DR em monócitos e a exposição a corticosteroides.

Por isso, simplesmente saber que uma pessoa utiliza um medicamento imunossupressor não é suficiente para determinar seu risco individual de infecção.

Esse risco precisa ser avaliado considerando o conjunto da situação clínica.


O que muda para uma pessoa imunossuprimida?

A imunossupressão pode exigir cuidados específicos para prevenção, diagnóstico e tratamento de infecções.

Dependendo da causa e da intensidade da imunossupressão, pode ser necessário avaliar previamente infecções latentes, atualizar estratégias de vacinação quando indicado e acompanhar sinais que possam sugerir uma infecção.

Isso é particularmente importante porque algumas infecções podem apresentar manifestações menos típicas em pessoas imunossuprimidas.

Em pacientes transplantados, por exemplo, o tipo e a intensidade da imunossupressão estão relacionados a padrões específicos de infecção e a determinadas complicações.

Por esse motivo, o acompanhamento deve ser individualizado.


Imunossupressão aumenta o risco de infecção?

Sim. A imunossupressão pode aumentar o risco de infecções comuns, infecções oportunistas e reativação de infecções latentes. O risco, porém, varia de acordo com a causa e a intensidade do comprometimento imunológico.

O tipo de tratamento também importa. Medicamentos diferentes interferem em diferentes partes da resposta imunológica e, consequentemente, podem favorecer padrões distintos de infecção.

Por isso, não existe uma única orientação válida para todas as pessoas imunossuprimidas.


Imunossupressão e risco de infecções: por que o acompanhamento é importante?

Entender o que é imunossupressão é o primeiro passo para compreender por que algumas pessoas apresentam maior risco de infecções e precisam de cuidados específicos.

Esse risco varia conforme a causa, o grau de comprometimento imunológico e o tratamento utilizado. Para aprofundar esse tema, conheça Infecções em pessoas imunossuprimidas: o que você precisa saber.

A imunossupressão pode resultar de doenças, medicamentos ou combinações de tratamentos. Pode ser leve, moderada ou grave e pode comprometer diferentes mecanismos da resposta imunológica.

Essas diferenças determinam, em grande parte, quais infecções devem ser prevenidas, investigadas ou acompanhadas com maior atenção.


Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação médica individual. Pessoas com imunossupressão podem apresentar diferentes níveis de risco para infecções, de acordo com a doença de base, os medicamentos utilizados e outras características clínicas. A prevenção, investigação e o tratamento devem ser definidos individualmente por um profissional de saúde.


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