Quais exames fazer antes de iniciar um imunobiológico?
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Antes de iniciar um tratamento com imunobiológico, é importante realizar uma avaliação médica para identificar infecções que possam se manifestar ou se agravar durante o uso do medicamento.
Os principais exames antes de iniciar imunobiológico incluem a investigação de tuberculose, hepatite B, hepatite C e, conforme a avaliação clínica, HIV. Também são solicitados exames de sangue para avaliar o funcionamento do organismo e é necessário revisar a situação vacinal.
Essa avaliação é uma etapa importante da segurança do tratamento. Algumas infecções podem permanecer silenciosas durante anos e voltar a se manifestar quando determinadas respostas do sistema imunológico são reduzidas.
A escolha dos exames depende do medicamento que será utilizado, da doença que motivou sua indicação e do histórico de saúde de cada pessoa.
Por que é necessário fazer exames antes de iniciar um imunobiológico?
Os imunobiológicos são medicamentos utilizados no tratamento de doenças como artrite reumatoide, psoríase, doença de Crohn, retocolite ulcerativa e esclerose múltipla, entre outras condições.
Eles atuam em componentes específicos do sistema imunológico, controlando processos inflamatórios ou modificando a atividade das células de defesa.
Dependendo do mecanismo de ação, esses medicamentos podem aumentar a suscetibilidade a determinadas infecções ou favorecer a reativação de microrganismos que já estavam presentes no organismo.
Por exemplo, uma pessoa pode ter tido contato com a bactéria causadora da tuberculose e permanecer sem sintomas durante muitos anos. O uso de determinados imunobiológicos pode aumentar a possibilidade de essa infecção se tornar ativa.
O mesmo pode ocorrer com o vírus da hepatite B, inclusive em pessoas que tiveram a infecção no passado.
Por isso, a investigação deve ser realizada preferencialmente antes da primeira dose, permitindo identificar riscos e estabelecer medidas preventivas.
Para entender melhor como esses medicamentos interferem nas defesas do organismo, leia também: Imunobiológicos aumentam o risco de infecções?
Quais exames são necessários antes de um imunobiológico?
Embora a avaliação seja individualizada, alguns exames fazem parte do rastreamento inicial mais frequentemente recomendado.

Exame | O que é investigado? |
PPD ou IGRA | Infecção latente por tuberculose |
Radiografia de tórax | Alterações pulmonares que possam sugerir tuberculose atual ou anterior |
HBsAg, anti-HBc total e anti-HBs | Infecção atual ou passada pelo vírus da hepatite B e resposta vacinal |
Anti-HCV | Contato com o vírus da hepatite C |
Teste para HIV | Presença de infecção pelo HIV |
Hemograma completo | Quantidade e características das células sanguíneas |
Exames de função hepática | Condições do fígado antes do tratamento |
Exames de função renal | Funcionamento dos rins |
Dependendo do medicamento, também podem ser necessários exames adicionais, como dosagem de imunoglobulinas, avaliação de outras infecções e teste de gravidez quando indicado.
O médico responsável pelo tratamento deve definir quais exames são necessários em cada situação.
Porque preciso investigar tuberculose antes de iniciar um imunobiológico?
A investigação da tuberculose é uma das etapas mais importantes antes de iniciar um imunobiológico, especialmente quando o tratamento envolve medicamentos da classe dos anti-TNF (ex.: Humira, Enbrel e Cimzia) .
A tuberculose é causada por uma bactéria chamada Mycobacterium tuberculosis. Após o contato com esse microrganismo, algumas pessoas desenvolvem a doença, enquanto outras permanecem com a infecção latente.
Na tuberculose latente, a pessoa não apresenta sintomas e não transmite a doença, mas a bactéria permanece no organismo. Em determinadas situações de imunossupressão, pode ocorrer sua reativação.
Quais exames detectam a tuberculose latente?
Os principais testes utilizados são:
PPD (teste tuberculínico): realizado na pele, avalia a resposta imunológica ao contato com proteínas relacionadas à bactéria da tuberculose.
IGRA: exame de sangue que identifica uma resposta imunológica específica à bactéria. O QuantiFERON é um dos testes disponíveis.
Radiografia de tórax: auxilia na identificação de alterações pulmonares e na avaliação de possível tuberculose ativa ou sequelas de infecção anterior.
O PPD e o IGRA não conseguem, isoladamente, diferenciar tuberculose latente de tuberculose ativa. Por isso, os resultados precisam ser interpretados juntamente com os sintomas, o histórico de exposição e, quando necessário, outros exames.
Em pessoas que receberam a vacina BCG, o IGRA pode oferecer vantagens de especificidade em determinadas situações.
O que acontece se o exame para tuberculose for positivo?
Um resultado positivo não significa necessariamente que a pessoa esteja com tuberculose ativa.
Primeiro, é necessário avaliar se existe doença em atividade. Quando a investigação confirma uma infecção latente e há indicação de tratamento preventivo, ele deve ser iniciado antes do imunobiológico.
Em muitos casos, o medicamento imunobiológico pode ser iniciado após aproximadamente um mês de tratamento preventivo, desde que exista avaliação médica favorável. Esse intervalo pode variar conforme a situação clínica e o esquema utilizado.
A identificação da tuberculose latente não impede definitivamente o uso do imunobiológico. Ela permite adotar medidas para reduzir o risco de adoecimento durante o tratamento.
Porque preciso investigar hepatite B antes de iniciar um imunobiológico?
O rastreamento da hepatite B é recomendado mesmo para pessoas que não apresentam sintomas ou não conhecem qualquer histórico de doença no fígado.
Isso acontece porque o vírus da hepatite B pode permanecer no organismo durante muitos anos. Além disso, pessoas que tiveram a infecção no passado podem apresentar reativação viral quando utilizam determinados medicamentos imunossupressores.
A reativação da hepatite B pode causar inflamação importante do fígado e, em situações graves, insuficiência hepática.
Quais exames são solicitados para hepatite B?
A avaliação inicial costuma incluir três exames:
HBsAg: ajuda a identificar a presença de infecção atual pelo vírus da hepatite B.
Anti-HBc total: indica contato prévio com o vírus, mesmo quando a infecção ocorreu há muitos anos.
Anti-HBs: auxilia na avaliação da imunidade contra a hepatite B, inclusive após vacinação.
A interpretação conjunta desses resultados permite identificar diferentes situações.
Quando o HBsAg é positivo, geralmente é necessária uma avaliação complementar, incluindo a quantidade de vírus no sangue, antes de definir o tratamento.
Quando o HBsAg é negativo, mas o anti-HBc é positivo, pode existir risco de reativação da hepatite B, mesmo que a infecção tenha ocorrido no passado.
Nesses casos, a necessidade de utilizar um antiviral preventivo ou realizar acompanhamento laboratorial depende principalmente do tipo de imunobiológico e do risco individual.
Medicamentos como rituximabe e outros agentes que atuam sobre os linfócitos B merecem atenção especial, pois estão associados a maior risco de reativação da hepatite B.
É necessário investigar hepatite C e HIV?
A avaliação antes do imunobiológico também costuma incluir exames para hepatite C e HIV.
Para a hepatite C, o exame inicial é o anti-HCV. Quando ele apresenta resultado reagente, pode ser necessário pesquisar o material genético do vírus, por meio do HCV-RNA, para identificar se existe infecção ativa.
No caso do HIV, a testagem pode fazer parte da avaliação inicial, considerando as recomendações relacionadas à doença de base, ao medicamento e ao histórico clínico.
A identificação de qualquer uma dessas infecções exige uma avaliação individualizada. O diagnóstico não significa, por si só, que todos os imunobiológicos estejam contraindicados.
Em muitos casos, o tratamento pode ser realizado com planejamento, acompanhamento adequado e controle da infecção.
Quais outros exames podem ser necessários antes do tratamento?
Além da investigação das principais infecções, o médico pode solicitar exames complementares para avaliar as condições gerais de saúde.
O hemograma permite verificar alterações nas células do sangue. Os exames de função hepática e renal ajudam a identificar condições que possam interferir na segurança do tratamento ou no uso de outros medicamentos associados.
Em pessoas que iniciarão medicamentos como rituximabe (MabThera) e ocrelizumabe (Ocrevus), pode ser indicada a dosagem de imunoglobulinas, proteínas que participam da defesa contra infecções.
Também pode ser necessária a investigação de infecções anteriores, como varicela, ou de outras condições específicas.
A escolha dos exames adicionais depende da doença em tratamento, do imunobiológico indicado e das características individuais do paciente.
Quem mora no Ceará precisa investigar outras infecções?
Em algumas situações, sim.
Além das infecções habitualmente investigadas antes do uso de imunobiológicos, é importante considerar doenças que ocorrem com maior frequência em determinadas regiões do Brasil.
No Ceará, o histórico de residência, viagens, atividades profissionais e exposição ambiental pode indicar a necessidade de investigar outras infecções.
Entre elas estão:
Leishmaniose visceral (calazar)
É uma infecção transmitida pela picada de insetos infectados, popularmente conhecidos como mosquito-palha. Pode permanecer sem manifestações evidentes em algumas pessoas e apresentar evolução grave em situações de comprometimento imunológico.
A investigação pode ser necessária quando existem sintomas, histórico de exposição ou outros fatores de risco. Não se trata de um exame indicado indiscriminadamente para todos os pacientes.
Doença de Chagas
Pessoas que nasceram ou viveram em áreas de transmissão da doença de Chagas podem precisar de investigação específica.
A infecção pode permanecer silenciosa durante décadas e, em determinadas condições de imunossupressão, apresentar risco de reativação.
Estrongiloidíase
É uma infecção intestinal causada por um parasita chamado Strongyloides stercoralis.
Pode persistir por muitos anos sem provocar sintomas importantes. Em pessoas submetidas a determinados tratamentos imunossupressores, especialmente quando há uso de corticosteroides, pode evoluir para formas graves e disseminadas.
Por isso, a avaliação do histórico epidemiológico é importante para decidir quando investigar essas infecções.
Os exames são os mesmos para todos os imunobiológicos?
Não. Embora exista uma avaliação inicial comum, o risco de infecção varia conforme o mecanismo de ação do medicamento.
Os anti-TNF, como infliximabe (Remicade) e adalimumabe (Humira), estão associados a maior risco de reativação de tuberculose, especialmente quando comparados a algumas outras classes de imunobiológicos.
Medicamentos como rituximabe (MabThera), ocrelizumabe (Ocrevus) e outros agentes que atuam sobre os linfócitos B exigem atenção especial à hepatite B e à resposta às vacinas.
Já os medicamentos que bloqueiam determinadas interleucinas, como secuquinumabe (Cosentyx) e ixequizumabe (Taltz), apresentam perfis diferentes de risco infeccioso.
Essas diferenças podem modificar a necessidade de exames complementares, medidas preventivas e acompanhamento durante o tratamento.
Por isso, o rastreamento deve considerar o medicamento específico, e não apenas o fato de ele pertencer ao grupo dos imunobiológicos.
O que acontece se algum exame apresentar alteração?
Encontrar uma alteração nos exames não significa necessariamente que o tratamento precisará ser cancelado.
Em muitos casos, é possível controlar ou prevenir a infecção antes de iniciar o imunobiológico.
Uma pessoa com tuberculose latente, por exemplo, pode receber tratamento preventivo. Quem apresenta risco de reativação da hepatite B pode precisar de acompanhamento específico ou de um medicamento antiviral.
Outras alterações podem exigir exames complementares ou avaliação conjunta entre o especialista que prescreveu o imunobiológico e o infectologista.
O objetivo é identificar as condições que precisam de atenção e permitir que o tratamento seja realizado com maior segurança.
Quando procurar um infectologista antes de iniciar um imunobiológico?
A avaliação com infectologista pode ser especialmente importante quando existe histórico de tuberculose, hepatites virais, HIV, infecções recorrentes ou resultados alterados nos exames de rastreamento.
Também pode ser indicada quando o paciente apresenta fatores de risco para infecções endêmicas, precisa atualizar vacinas ou utilizará um imunobiológico associado a maior risco de reativação de determinadas infecções.
O infectologista pode ajudar a interpretar os resultados, avaliar a necessidade de tratamentos preventivos e estabelecer um plano de acompanhamento em conjunto com o médico responsável pela doença de base.
É seguro iniciar um imunobiológico depois de realizar os exames?
A realização dos exames e a adoção das medidas preventivas recomendadas contribuem para reduzir o risco de complicações infecciosas durante o tratamento.
Entretanto, nenhum rastreamento elimina completamente a possibilidade de infecção.
Mesmo após uma avaliação inicial adequada, é importante manter o acompanhamento médico e comunicar o surgimento de sintomas como febre persistente, tosse prolongada, perda de peso inexplicada ou outros sinais de infecção.
A segurança do tratamento depende tanto da avaliação antes da primeira dose quanto dos cuidados mantidos ao longo do acompanhamento.
Se você está prestes a iniciar um imunobiológico, uma avaliação com infectologista pode ajudar a identificar riscos, revisar suas vacinas e definir quais medidas preventivas são necessárias antes do tratamento.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educativa. Não substitui a consulta médica, a avaliação individualizada ou as recomendações do profissional responsável pelo tratamento. Não inicie, suspenda ou modifique medicamentos sem orientação médica.




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