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Imunobiológicos aumentam o risco de infecções?

Foto do escritor: Dra. Danielle Tavares
Dra. Danielle Tavares
há 2 horas
7 min de leitura

Sim. Os imunobiológicos podem aumentar o risco de infecções, mas isso não acontece da mesma forma com todos os medicamentos.

O risco depende do tipo de imunobiológico utilizado, da doença que está sendo tratada, da intensidade da doença e de outros medicamentos que a pessoa esteja usando.

Alguns tratamentos aumentam principalmente o risco de determinadas infecções, como tuberculose, hepatite B ou herpes-zóster.

Por isso, antes de iniciar um imunobiológico, é importante avaliar quais infecções precisam ser investigadas, quais vacinas estão indicadas e se existe alguma medida preventiva que possa reduzir os riscos.

Este cuidado faz parte do acompanhamento de pessoas que utilizam medicamentos capazes de diminuir a resposta do sistema imunológico. Para entender melhor esse contexto, veja também Infecções em pessoas imunossuprimidas: o que você precisa saber.


Imunobiológicos e risco de infecções durante tratamento
O risco de infecção durante o tratamento com imunobiológicos varia conforme o medicamento e as condições clínicas do paciente.

Todo imunobiológico aumenta o risco de infecção?

De modo geral, os imunobiológicos podem aumentar o risco de infecções porque interferem em partes específicas do sistema imunológico.

Isso não significa que toda pessoa que utiliza um imunobiológico terá uma infecção. O que muda é a possibilidade de algumas infecções acontecerem com maior frequência ou de uma infecção já existente, mas controlada pelo organismo, voltar a se manifestar.

Estudos que avaliaram milhares de pessoas mostram que o risco de infecções graves pode ser maior durante o tratamento com alguns medicamentos biológicos. Em uma grande revisão foi observado um aumento do risco de infecções graves entre pessoas que utilizavam esses medicamentos.

Em um estudo, realizado com pessoas com artrite reumatoide, aproximadamente 6 em cada 100 pacientes que iniciaram um tratamento biológico tiveram uma infecção grave ao longo de um ano. Esse número foi de aproximadamente 1,5 em cada 100 pessoas na população geral utilizada para comparação.

Esses números não significam que todos os pacientes tenham o mesmo risco. A doença de base e outros medicamentos também influenciam bastante.


Outros medicamentos podem aumentar o risco

Os corticosteroides, como a prednisona (Meticorten®), merecem atenção especial.

Quando utilizados junto com um imunobiológico, eles podem aumentar ainda mais a possibilidade de infecção. O mesmo pode acontecer com outros medicamentos que reduzem a atividade do sistema imunológico, como o metotrexato (Metrexato®, Mtx®, Tecnomet®) e alguns medicamentos chamados tiopurínicos, como a azatioprina (Imuran®) .

Por isso, o médico precisa avaliar o conjunto do tratamento, e não apenas o imunobiológico utilizado.


O risco é igual para todos os imunobiológicos?

Não.

Os imunobiológicos atuam em diferentes partes do sistema imunológico. Por isso, cada grupo de medicamentos apresenta um perfil diferente de risco.

De maneira geral, alguns grupos estão mais associados a infecções graves, enquanto outros apresentam um risco comparativamente menor.

Essas diferenças não significam que um determinado medicamento seja seguro ou arriscado para todas as pessoas. O risco individual depende também da doença, da idade, de outras condições de saúde e dos demais medicamentos utilizados.

Os estudos disponíveis também podem apresentar resultados diferentes dependendo da doença analisada e do grupo de pacientes estudado. Por isso, a escolha do tratamento deve ser individualizada.


Quais infecções devem ser prevenidas?

Antes de iniciar um imunobiológico, a preocupação costuma estar principalmente voltada para dois grupos de infecções:

Infecções que podem estar escondidas no organismo e voltar a se manifestar quando a defesa imunológica diminui.

Infecções que podem ser prevenidas por vacinação.


Avaliação antes do início do tratamento com imunobiológico
Entre as infecções que merecem atenção estão tuberculose, hepatite B e herpes-zóster.

Tuberculose

A tuberculose é uma das principais preocupações com alguns imunobiológicos, especialmente os medicamentos que bloqueiam o chamado fator de necrose tumoral, conhecidos como inibidores de TNF.

Esses medicamentos podem facilitar a reativação de uma tuberculose que estava controlada pelo organismo.

Por isso, a investigação de tuberculose deve fazer parte da avaliação antes do início do tratamento. Quando é identificada uma infecção pelo bacilo da tuberculose sem doença ativa, pode ser necessário realizar tratamento preventivo antes ou durante o início do imunobiológico, de acordo com a avaliação médica.


Hepatite B

A hepatite B também merece atenção porque alguns imunobiológicos podem fazer com que uma infecção antiga, que estava controlada, volte a se manifestar.

Por isso, antes de iniciar determinados tratamentos, é importante verificar se a pessoa já teve contato com o vírus da hepatite B ou se está infectada.

Essa avaliação pode ser feita por meio de exames de sangue específicos. Pessoas que apresentam sinais de infecção atual ou de uma infecção passada podem precisar de acompanhamento ou tratamento preventivo.

O risco é particularmente importante durante o uso de medicamentos como o rituximabe (Mabthera®).


Herpes-zóster

O herpes-zóster pode ocorrer com maior frequência durante alguns tratamentos que interferem no sistema imunológico.

Esse risco chama atenção especialmente com os medicamentos chamados inibidores de JAK e também com alguns medicamentos que atuam sobre os linfócitos B, como o rituximabe (Mabthera®).

Quando indicada, a vacina contra herpes-zóster pode ajudar a reduzir esse risco. Em geral, é preferível avaliar a vacinação antes de começar o tratamento imunossupressor.


Quais vacinas devem ser avaliadas antes do tratamento?

A vacinação é uma das principais formas de prevenir infecções durante o tratamento com imunobiológicos.

Por isso, antes de começar o medicamento, vale revisar a carteira de vacinação e verificar quais vacinas estão indicadas.

Dependendo da idade, das doenças e do tratamento que será iniciado, podem ser recomendadas vacinas contra:

  • gripe;

  • pneumococo;

  • COVID-19;

  • herpes-zóster;

  • hepatite A;

  • hepatite B;

  • HPV;

  • difteria, tétano e coqueluche.

As vacinas com microrganismos vivos enfraquecidos precisam de uma avaliação especial, pois podem não ser recomendadas depois que a pessoa já está sob efeito de determinados imunossupressores.

Por isso, quando possível, é melhor revisar a vacinação antes de iniciar o tratamento.


É necessário fazer exames antes de iniciar um imunobiológico?

Em muitos casos, sim.

A avaliação antes do tratamento permite identificar infecções que precisam ser tratadas ou acompanhadas antes de diminuir a atividade do sistema imunológico.

Dependendo do medicamento e das características do paciente, podem ser necessários exames para investigar:

  • tuberculose;

  • hepatite B;

  • hepatite C;

  • HIV;

  • algumas infecções parasitárias, como Strongyloides;

  • outras infecções de acordo com os antecedentes e fatores de risco.

O conjunto de exames não é exatamente igual para todos os pacientes. A avaliação deve levar em conta o imunobiológico que será utilizado, a doença tratada, os antecedentes do paciente e as condições de saúde.


O risco de infecção continua durante todo o tratamento?

O risco pode mudar ao longo do tratamento.

Além do imunobiológico, outros fatores podem aumentar a possibilidade de infecção, como o uso de corticosteroides, outros medicamentos que reduzem a imunidade e a própria atividade da doença.

Por isso, o acompanhamento médico continua sendo importante mesmo quando os exames realizados antes do tratamento estavam normais.

Febre persistente, tosse, falta de ar, lesões na pele, dor ou ardência para urinar, diarreia persistente ou outros sintomas novos devem ser comunicados ao médico.

Em pessoas com imunidade reduzida, algumas infecções podem evoluir de maneira diferente do habitual e precisam de avaliação adequada.


Imunobiológicos e risco de infecções: o que muda de um medicamento para outro?

O tipo de imunobiológico ajuda a determinar quais infecções merecem maior atenção.


Inibidores de TNF

Medicamentos como adalimumabe (Humira®), infliximabe (Remicade®), etanercepte (Enbrel®), golimumabe (Simponi®) e certolizumabe (Cimzia®) fazem parte desse grupo.

Entre os principais cuidados está a prevenção da tuberculose. Também podem ocorrer infecções respiratórias, urinárias, de pele e, menos frequentemente, algumas infecções causadas por fungos e micobactérias.


Anticorpo monoclonal anti-CD20

Rituximabe (Mabthera®), ocrelizumabe (Ocrevus®), ofatumumabe (Kesimpta®), obinutuzumabe (Gazyva®) e ublituximabe (Briumvi®) atuam sobre células específicas do sistema imunológico chamadas linfócitos B.

Nesse grupo, uma das principais preocupações é a reativação da hepatite B. O risco e o tipo de acompanhamento variam de acordo com o medicamento e com as características do paciente.

O rituximabe também está associado a uma complicação neurológica rara chamada LEMP, que pode ser grave.


Inibidores de IL-6

O Tocilizumabe (Actemra®) interfere em uma substância envolvida na inflamação. O tratamento pode aumentar o risco de infecções e exige atenção para sintomas relacionados ao intestino, principalmente em pessoas com diverticulite.


Inibidores de IL-17

Secuquinumabe (Cosentyx®), ixequizumabe (Taltz®) e bimequizumabe (Bimzelx®) fazem parte desse grupo.

De maneira geral, apresentam um perfil comparativamente favorável em relação às infecções graves. Por outro lado, podem aumentar a ocorrência de candidíase, uma infecção causada por fungos que pode afetar a boca, a pele ou outras regiões do corpo.


Como reduzir o risco de infecção durante o tratamento?

Algumas medidas podem reduzir o risco de complicações.


Fazer a avaliação antes de começar

Investigar tuberculose, hepatite B e outras infecções indicadas para cada paciente permite identificar problemas que podem ser tratados ou acompanhados antes da imunossupressão.


Atualizar as vacinas

Sempre que possível, as vacinas indicadas devem ser atualizadas antes do início do tratamento.


Avaliar o uso de corticosteroides

Quando utilizados junto com um imunobiológico, os corticosteroides podem aumentar o risco de infecção. Por isso, o médico deve avaliar a necessidade e a dose desses medicamentos.


Conhecer os riscos específicos do medicamento

Não existe uma lista única de infecções que precise ser investigada da mesma maneira em todos os pacientes.

O tratamento escolhido, a doença de base e os fatores de risco individuais determinam quais medidas são necessárias.


Procurar atendimento diante de sintomas

Febre, tosse persistente, falta de ar, lesões na pele, sintomas urinários ou outros sinais de infecção devem ser avaliados, especialmente quando surgem durante um tratamento que reduz a resposta imunológica.


O que considerar antes de iniciar um imunobiológico?

O risco de infecção é apenas uma parte da avaliação necessária antes de iniciar um imunobiológico.


O médico precisa considerar:

  • qual medicamento será utilizado;

  • qual doença está sendo tratada;

  • outros medicamentos em uso;

  • histórico de infecções;

  • vacinação;

  • exposição anterior à tuberculose;

  • histórico de hepatite;

  • outras condições de saúde;

  • fatores relacionados ao local onde a pessoa vive ou já viveu.


Essa avaliação ajuda a identificar situações que podem ser prevenidas ou acompanhadas antes do início do tratamento.


Afinal, imunobiológicos aumentam o risco de infecções?

Sim, mas o risco varia de acordo com o medicamento e com as características de cada paciente.

Alguns imunobiológicos apresentam maior associação com determinadas infecções. Outros têm um perfil infeccioso mais favorável. O uso simultâneo de corticosteroides e outros medicamentos que reduzem a imunidade também pode aumentar esse risco.

Por isso, iniciar um imunobiológico não significa que a pessoa necessariamente terá uma infecção.

O mais importante é conhecer os riscos relacionados ao tratamento escolhido e realizar as medidas de prevenção adequadas. A investigação de tuberculose e hepatites virais, a atualização das vacinas e o acompanhamento durante o tratamento são algumas das estratégias que podem contribuir para um tratamento mais seguro.

Para entender quais outros medicamentos também podem reduzir a resposta do sistema imunológico, veja Quais medicamentos podem causar imunossupressão?


Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma consulta médica. A indicação, suspensão ou alteração de um imunobiológico deve ser feita pelo médico responsável, considerando a doença de base, os riscos de infecção e as características de cada paciente.




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