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Quais medicamentos que causam imunossupressão?

Foto do escritor: Dra. Danielle Tavares
Dra. Danielle Tavares
há 4 horas
5 min de leitura

Vários medicamentos podem reduzir a resposta do sistema imunológico e, dependendo do medicamento, da dose, do tempo de tratamento e das combinações utilizadas, aumentar a suscetibilidade a infecções. Entre os principais estão os corticoides, imunossupressores clássicos, quimioterápicos, inibidores de calcineurina e de mTOR, além de imunobiológicos e terapias-alvo.

Os medicamentos que causam imunossupressão são utilizados no tratamento de diferentes doenças, incluindo doenças autoimunes, câncer e no transplante de órgãos. Em determinadas situações, a redução da resposta imunológica é justamente o objetivo do tratamento.

O efeito, entretanto, varia bastante entre os medicamentos. Alguns interferem de maneira ampla no funcionamento do sistema imunológico, enquanto outros atuam sobre células ou vias específicas. A combinação de diferentes terapias também pode aumentar o grau de imunossupressão.

Para compreender melhor o conceito e saber como ele é definido, vale consultar o conteúdo: O que é imunossupressão?, que explica os principais mecanismos e situações associadas à redução da resposta imunológica.


Medicamentos que causam imunossupressão e reduzem a resposta imunológica
Diferentes classes de medicamentos podem reduzir a resposta imunológica, com intensidade que varia conforme o tratamento e as características de cada paciente.

Quais medicamentos que causam imunossupressão e reduzem a resposta imunológica?

Várias classes de medicamentos podem reduzir a resposta imunológica e causar diferentes graus de imunossupressão. Entre elas estão os corticoides, imunossupressores clássicos, inibidores de calcineurina e de mTOR, imunobiológicos, terapias-alvo e quimioterápicos. 


Corticoides

Os glicocorticóides, como a prednisona (Meticorten®), apresentam efeito imunossupressor relacionado principalmente à dose e à duração do tratamento. 

Eles podem provocar redução de imunoglobulinas, especialmente da IgG, além de linfopenia com redução de células CD4. É considerado clinicamente relevante o efeito imunossupressor de prednisona ou equivalente em doses de 20 mg por dia ou mais durante pelo menos duas semanas. 

O risco de infecção também aumenta com o uso de corticóides, principalmente em doses mais elevadas. Esse risco merece atenção ainda maior quando o corticoide é utilizado junto com outros medicamentos imunossupressores.


Imunossupressores clássicos

Entre os principais imunossupressores tradicionais estão a azatioprina (Imuran®), o micofenolato de mofetila (Cellcept®), o metotrexato (Metrexato®, Mtx®, Tecnomet®) e a ciclofosfamida (Genuxal®).

A azatioprina pode reduzir IgG, IgA e IgM e provocar supressão da medula óssea. O micofenolato de mofetila interfere na síntese de purinas dos linfócitos T e B e pode provocar hipogamaglobulinemia.

O metotrexato pode reduzir as concentrações de imunoglobulinas e as respostas a algumas vacinas inativadas, enquanto a ciclofosfamida pode provocar hipogamaglobulinemia. Também fazem parte desse grupo alguns análogos de purina e pirimidina, como cladribina (Mavenclad®), fludarabina (Evoflubina®), teriflunomida (Aubagio®) e leflunomida (Arava®).

O grau de imunossupressão não é igual para todos esses medicamentos. É necessário considerar o fármaco utilizado, a dose, a duração do tratamento e a presença de outras terapias.


Inibidores de calcineurina e de mTOR

A ciclosporina (Sandimmun®) e o tacrolimo (Prograf®) são inibidores de calcineurina que bloqueiam a produção de IL-2 e a ativação dos linfócitos T. Como consequência, podem aumentar o risco de infecções e de malignidades.

Também fazem parte das terapias imunossupressoras os inibidores de mTOR, como sirolimo (Rapamune®) e everolimo  (Afinitor®, Certican®).

Esses medicamentos têm papel importante, por exemplo, em esquemas utilizados após transplante de órgãos. Nesses casos, diferentes medicamentos podem ser associados para controlar a resposta imunológica.


Imunobiológicos

Essas terapias interferem de maneira mais específica em determinadas vias ou células do sistema imunológico. Por isso, o perfil de risco infeccioso varia de acordo com o medicamento utilizado.

Um exemplo são os anticorpos anti-CD20, como rituximabe (Mabthera®), ocrelizumabe (Ocrevus®) e ofatumumabe (Kesimpta®). Eles provocam depleção prolongada de células B e podem estar associados à hipogamaglobulinemia, neutropenia tardia e reativação do vírus da hepatite B.

Também existem terapias que atuam sobre outras vias do sistema imunológico, como: 

  • agentes depletores de linfócitos, como alemtuzumabe (Lemtrada®) e timoglobulina;

  • moduladores de S1P, como siponimode (Mayzent®) e ozanimode (Zeposia®);

  • inibidores de BTK, como ibrutinibe (Imbruvica®);

  • anticorpos anti-CD38, como daratumumabe (Dalinvi®);

  • inibidores do proteassoma, como bortezomibe (Velcade®);

  • antagonistas de FcRn, como efgartigimod alfa (Vyvgart®) e rozanolixizumabe (Rystiggo®);

  • terapia CAR-T anti-CD19.


Algumas dessas terapias podem provocar aplasia de células B e hipogamaglobulinemia, comprometendo a proteção contra determinadas infecções.


Imunobiológicos e terapias-alvo que reduzem a resposta imunológica
Os imunobiológicos podem interferir em diferentes células e vias do sistema imunológico, e o risco de infecção varia conforme o mecanismo de ação do medicamento.

Quimioterápicos

Os quimioterápicos citotóxicos estão entre os medicamentos com maior potencial de imunossupressão.

Agentes alquilantes, antimetabólitos e outros quimioterápicos podem provocar supressão importante da resposta imunológica. A intensidade desse efeito depende do medicamento e do esquema utilizado.

Durante o tratamento oncológico, alterações nas células de defesa podem aumentar a suscetibilidade a determinadas infecções. Por esse motivo, o acompanhamento do paciente deve considerar não apenas a doença de base, mas também os efeitos imunológicos do tratamento.


Existem medicamentos que não são considerados imunossupressores clássicos?

Sim. Alguns medicamentos não são classificados tradicionalmente como imunossupressores, mas podem interferir na resposta imunológica.

Entre eles estão alguns antipsicóticos e antiepilépticos.

A clozapina (Leponex®), por exemplo, é apontada como o antipsicótico mais associado a efeitos imunológicos, incluindo redução de IgG, IgA e IgM e aumento de pneumonia. 

Entre os antiepilépticos estão fenitoína (Hidantal®), carbamazepina (Tegretol®), valproato (Depakene®) e lamotrigina (Lamictal®), que podem estar associados a hipogamaglobulinemia, linfopenia e deficiência de IgA. 

Essa informação é relevante quando se investiga uma possível imunodeficiência secundária. A história medicamentosa deve incluir tanto os tratamentos atuais quanto os medicamentos utilizados anteriormente. 


O risco de imunossupressão aumenta quando medicamentos são combinados?

Sim. A associação de diferentes medicamentos pode ampliar a imunossupressão.

Um exemplo são os esquemas utilizados após transplante de órgãos sólidos, que podem combinar glicocorticoide, inibidor de calcineurina e antiproliferativo, com ou sem inibidor de mTOR e medicamentos utilizados na indução.

Nesse contexto, o risco de infecções pode ser significativamente maior do que aquele associado ao uso isolado de um dos medicamentos.

Por esse motivo, para avaliar se uma pessoa está imunossuprimida, é necessário considerar qual medicamento está sendo utilizado, a dose, o tempo de tratamento e a associação com outras terapias.

Quais cuidados são necessários antes de iniciar um medicamento imunossupressor?

Antes de iniciar determinadas terapias imunossupressoras ou biológicas, é importante avaliar o risco de infecções que podem ser reativadas durante o tratamento. 

Recomenda-se o rastreio para tuberculose e  vírus da hepatite B antes do início de terapia imunossupressora e/ou biológica, devido ao risco de reativação dessas infecções.

A avaliação também deve considerar o histórico clínico, os medicamentos utilizados, as vacinas e outros fatores que possam modificar o risco infeccioso.


Avaliação médica antes de iniciar medicamento imunossupressor ou imunobiológico
Antes de iniciar determinadas terapias imunossupressoras, a avaliação do histórico clínico, das vacinas e de infecções que podem ser reativadas faz parte da prevenção de complicações.

O que isso significa para quem usa esses medicamentos?

O uso de um medicamento com potencial imunossupressor não significa que todas as pessoas terão o mesmo grau de comprometimento da imunidade.

A avaliação deve considerar o medicamento utilizado, a dose, a duração do tratamento, as combinações terapêuticas e as condições clínicas associadas. Em algumas situações, também pode ser necessário dosagem de imunoglobulinas, células sanguíneas ou outros marcadores.

A prevenção de infecções pode envolver vacinação, rastreamento de infecções latentes, medidas de prevenção e, em situações selecionadas, profilaxia antimicrobiana.

Pessoas em tratamento imunossupressor também precisam de atenção especial à vacinação. Vacinas de vírus vivos são contraindicadas e vacinas inativadas aplicadas durante a terapia podem não ser consideradas válidas, havendo recomendação de revacinação em situações específicas após a suspensão do tratamento.


Quando procurar um infectologista?

A avaliação com infectologista pode ser especialmente útil quando uma pessoa vai iniciar uma terapia com potencial imunossupressor e existe dúvida sobre infecções prévias, vacinação, risco de reativação de doenças ou necessidade de medidas preventivas.

Também pode ser indicada diante de infecções recorrentes ou de difícil tratamento durante o uso de imunossupressores, imunobiológicos ou terapias-alvo.

Nessas situações, o objetivo é avaliar o risco infeccioso de forma individualizada e definir estratégias de prevenção e acompanhamento compatíveis com o tratamento.

Se você vai iniciar um imunobiológico e tem dúvidas sobre infecções prévias, exames, vacinas ou necessidade de prevenção, a avaliação antes do início da terapia pode ajudar a reduzir riscos.


Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui uma consulta médica, diagnóstico ou tratamento individualizado. Não inicie, suspenda ou altere medicamentos por conta própria. Em caso de dúvidas sobre o uso de imunossupressores, imunobiológicos ou corticoides, procure orientação médica.


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