Quem é considerado imunossuprimido?
.png/v1/fill/w_320,h_320/file.jpg)

Uma pessoa é considerada imunossuprimida quando apresenta alguma alteração quantitativa ou funcional do sistema imunológico que reduz sua capacidade de responder adequadamente a infecções. Isso pode acontecer por uma doença, uma condição clínica ou pelo uso de medicamentos que interferem na resposta imune.
O termo também pode aparecer como imunocomprometido. O grau de comprometimento, porém, não é igual para todos. A imunossupressão pode ser leve, moderada ou intensa, pode durar períodos diferentes e, em algumas situações, pode regredir conforme a doença é controlada ou o tratamento é modificado.
Afinal, quem é considerado imunossuprimido?
De forma ampla, pode ser considerado imunossuprimido o paciente que apresenta uma imunodeficiência primária ou uma imunodeficiência secundária, também chamada de adquirida.
As imunodeficiências primárias estão relacionadas a alterações do próprio sistema imunológico, enquanto as secundárias podem surgir ao longo da vida em decorrência de doenças, medicamentos, câncer, transplantes e outras condições.
Em adultos, as imunodeficiências secundárias são particularmente importantes. Entre as situações que podem comprometer a resposta imunológica estão o HIV, algumas doenças malignas, determinados medicamentos, distúrbios metabólicos, doenças crônicas e situações associadas à perda de proteínas.
Por isso, dizer que alguém tem baixa imunidade não é suficiente para determinar se essa pessoa é, de fato, imunossuprimida. A avaliação depende da causa, da intensidade e da duração do comprometimento imunológico.
Quais doenças causam imunossupressão?

Algumas doenças e condições clínicas podem comprometer significativamente o funcionamento do sistema imunológico.
Entre as principais estão:
Câncer em tratamento ativo, incluindo tumores sólidos e neoplasias hematológicas;
Leucemia linfocítica crônica, linfoma não Hodgkin, mieloma múltiplo e leucemias agudas, que podem estar associadas a uma resposta imune inadequada mesmo independentemente do tratamento;
Imunodeficiências primárias moderadas ou graves, como imunodeficiência comum variável, imunodeficiência combinada grave, síndrome de DiGeorge e síndrome de Wiskott-Aldrich;
HIV avançado ou não tratado, especialmente quando o número de linfócitos CD4 está abaixo de 200 células/mm³, existe doença definidora de AIDS sem reconstituição imunológica ou há HIV sintomático;
Transplante de órgão sólido ou de ilhotas;
Transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) e doença do enxerto contra o hospedeiro;
Neutropenia e redução importante de células B ou T;
Síndrome nefrótica, enteropatia perdedora de proteínas e queimaduras extensas, que podem causar imunodeficiência por perda de proteínas;
Desnutrição, doenças metabólicas, cirrose e doença renal terminal;
Algumas doenças autoimunes que exigem imunossupressão intensa.
É importante observar que nem toda pessoa com uma doença crônica é automaticamente imunossuprimida. Diabetes, obesidade, doença hepática ou doença renal crônica, por exemplo, geralmente não definem imunossupressão isoladamente.
Quais tratamentos deixam a pessoa imunossuprimida?
Medicamentos são uma das causas mais frequentes de imunodeficiência secundária em adultos. O risco pode ser maior quando diferentes medicamentos imunossupressores são utilizados em conjunto.
Entre os tratamentos que podem causar imunossupressão estão:

Corticoides em altas doses
O uso de prednisona em dose igual ou superior a 20 mg por dia, ou equivalente, durante pelo menos duas semanas é considerado uma situação de imunossupressão relevante.
Os corticoides podem provocar alterações como linfopenia de células CD4 e redução das imunoglobulinas, comprometendo diferentes componentes da resposta imune.
Quimioterapia e medicamentos antiproliferativos
Agentes alquilantes, como a ciclofosfamida, e antimetabólitos ou antiproliferativos, como metotrexato, azatioprina e micofenolato, podem reduzir a capacidade de resposta do sistema imunológico.
Quimioterápicos classificados como intensamente imunossupressores também podem levar a um grau significativo de imunocomprometimento.
Medicamentos que reduzem células B
Os medicamentos anti-CD20, como o rituximabe, provocam depleção prolongada de células B e podem estar associados a hipogamaglobulinemia e neutropenia tardia.
Essa característica é especialmente relevante na avaliação do risco de determinadas infecções.
Imunobiológicos e terapias-alvo
Alguns medicamentos imunobiológicos também podem comprometer mecanismos específicos da defesa imunológica.
Entre eles estão os inibidores de TNF-α, que aumentam o risco de tuberculose e de reativação da hepatite B, além de terapias direcionadas às células B e outras terapias-alvo.
Também podem estar envolvidos nesse contexto os inibidores de BTK, anti-CD38, anti-CD22, antagonistas de FcRn e terapias celulares, como a terapia com células CAR-T.
Medicamentos utilizados após transplantes
Após um transplante, é necessário controlar a resposta imunológica para reduzir o risco de rejeição do órgão ou tecido transplantado.
Por isso, medicamentos como tacrolimo, ciclosporina, inibidores de mTOR, globulina antitimócito e belatacepte fazem parte de regimes imunossupressores utilizados nesse contexto.
Todo imunossuprimido tem o mesmo grau de risco?
Não. O grau de imunossupressão pode variar consideravelmente.
Uma classificação adaptada da IDSA organiza o imunocomprometimento em níveis baixo, moderado e alto, considerando tanto a doença de base quanto o tratamento utilizado. Essa estratificação ajuda a estimar o risco de infecções e a possibilidade de uma resposta vacinal inadequada.

Grau de imunocomprometimento | Exemplos |
Alto | TCTH recente, doença do enxerto contra o hospedeiro, malignidade hematológica em tratamento, transplante de pulmão, depleção importante de células B ou T, CAR-T recente |
Moderado | Transplante de órgão sólido, tumor sólido em tratamento, HIV com CD4 < 200 células/mm³, algumas imunodeficiências primárias e doenças autoimunes tratadas com imunossupressão significativa |
Baixo | HIV com CD4 > 200 células/mm³, cirrose, doença renal terminal e algumas doenças autoimunes; determinados tratamentos imunossupressores também podem se enquadrar nessa categoria |
A classificação não deve ser interpretada como uma regra isolada para todos os pacientes. O estado imunológico precisa ser analisado dentro do contexto clínico.
A imunossupressão pode desaparecer?
Sim. Em algumas situações, a imunossupressão é dinâmica e temporária.
Um exemplo é o paciente com leucemia que entra em remissão e recupera as células do sistema imunológico. Nesse cenário, o grau de comprometimento pode diminuir ao longo do tempo.
O mesmo princípio se aplica a algumas imunodeficiências secundárias relacionadas a tratamentos. À medida que a terapia é reduzida, suspensa ou concluída e o sistema imunológico se recupera, o risco pode mudar.
Por esse motivo, o diagnóstico de imunossupressão não deve ser baseado apenas no nome de uma doença ou de um medicamento. É necessário considerar a situação clínica atual.
Como saber se uma pessoa é imunossuprimida?
A avaliação considera vários fatores ao mesmo tempo:
doença de base;
gravidade da condição;
duração da doença;
estabilidade clínica;
presença de complicações;
outras doenças associadas;
medicamentos utilizados;
dose e duração dos tratamentos imunossupressores;
alterações nas células e proteínas relacionadas à resposta imune.
Não existe um único exame ou biomarcador capaz de determinar, em todas as situações, o chamado estado líquido de imunossupressão.
Por isso, uma pessoa que apresenta baixa imunidade em um exame não necessariamente deve ser classificada como imunossuprimida sem que os demais dados clínicos sejam considerados.
Por que saber quem é imunossuprimido é importante?
Identificar corretamente um paciente imunossuprimido ajuda a avaliar o risco de infecções, orientar medidas preventivas e definir cuidados específicos de acordo com o grau de comprometimento imunológico.
Alguns pacientes apresentam risco aumentado para infecções oportunistas ou para reativação de infecções previamente adquiridas. Em outros casos, a principal preocupação pode estar relacionada à resposta insuficiente a determinadas vacinas.
A intensidade desse risco, entretanto, varia de acordo com a doença, o tratamento e o grau de imunossupressão.
Quando procurar avaliação médica?
A avaliação médica é especialmente importante quando existe uma doença ou tratamento potencialmente imunossupressor e há dúvidas sobre o risco de infecções, vacinação ou necessidade de medidas preventivas.
Também merece atenção a ocorrência de infecções recorrentes, graves ou incomuns, principalmente quando existe alguma condição conhecida que possa comprometer o sistema imunológico.
A definição de quem é imunossuprimido depende do conjunto de informações clínicas. Por isso, a interpretação individual deve ser feita pelo médico que acompanha o paciente.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação médica individualizada. A definição de imunossupressão depende da doença de base, dos tratamentos utilizados, das doses, do tempo de uso e das condições clínicas de cada paciente. Em caso de dúvidas sobre o seu grau de imunossupressão, risco de infecções, vacinação ou necessidade de cuidados específicos, procure orientação médica.




Comentários