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Vacinação em pessoas imunossuprimidas

Foto do escritor: Dra. Danielle Tavares
Dra. Danielle Tavares
há 18 horas
10 min de leitura

A vacinação em pessoas imunossuprimidas é uma das principais estratégias para prevenir infecções e reduzir o risco de complicações graves. Entretanto, quem utiliza medicamentos que diminuem a atividade do sistema imunológico ou apresenta doenças que comprometem suas defesas pode precisar de um calendário de vacinação diferente daquele recomendado para a população geral.

Algumas vacinas exigem doses adicionais, outras devem ser aplicadas antes do início do tratamento e determinadas vacinas podem ser contraindicadas durante a imunossupressão.

A maioria das pessoas imunossuprimidas pode e deve ser vacinada. O cuidado está na escolha das vacinas, no momento da aplicação e na avaliação da resposta imunológica esperada.

Neste artigo, você vai entender como funciona a vacinação durante a imunossupressão, quais vacinas costumam ser recomendadas e quais cuidados são necessários para garantir uma proteção adequada.


Médica sorridente mostra um cartão de vacina a uma paciente em consultório claro, com laptop sobre a mesa.

Por que a vacinação é importante para pessoas imunossuprimidas?

O sistema imunológico é responsável por reconhecer e combater microrganismos capazes de provocar doenças. Quando suas funções estão comprometidas, algumas infecções podem ocorrer com maior frequência, apresentar evolução mais grave ou exigir hospitalização.

A imunossupressão pode estar relacionada a diferentes situações, como tratamento de doenças autoimunes, uso de medicamentos imunobiológicos, quimioterapia, transplantes, determinadas imunodeficiências e infecção pelo HIV em situações de comprometimento imunológico.

Nessas condições, a vacinação ajuda a reduzir o risco de doenças preveníveis, como influenza, COVID-19, infecções pneumocócicas e herpes-zóster.

Existe, porém, uma particularidade importante: a resposta às vacinas pode ser menor em pessoas imunossuprimidas. Isso significa que, mesmo após receber todas as doses recomendadas, alguns pacientes podem desenvolver uma proteção inferior à observada em pessoas com o sistema imunológico preservado.

Por esse motivo, o planejamento vacinal deve considerar tanto a condição clínica quanto os medicamentos utilizados.

Para compreender melhor essas situações, leia também: Infecções em pessoas imunossuprimidas: o que você precisa saber.


Quais vacinas o imunossuprimido deve tomar?

As principais vacinas para imunossuprimidos incluem aquelas que protegem contra infecções respiratórias, doenças bacterianas invasivas e herpes-zóster. Outras são indicadas conforme a idade, o histórico de vacinação, a doença de base e os fatores individuais de risco.

Entre as vacinas mais frequentemente consideradas estão:


Calendário de vacinação para pessoas imunossuprimidas com representação de vacinas e proteção imunológica.

Influenza

COVID-19

Pneumocócica

Herpes-zóster

Hepatite B

Tétano, difteria e coqueluche

HPV

Meningocócicas

Haemophilus influenzae tipo b

Vírus sincicial respiratório (VSR)


A necessidade de cada vacina depende da avaliação individual. Nem todas são indicadas para todos os pacientes, e os esquemas podem variar conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Algumas vacinas especiais também podem estar disponíveis na rede pública para pessoas com condições clínicas específicas.


Como funciona a vacinação durante a imunossupressão?

A vacinação estimula o sistema imunológico a reconhecer agentes infecciosos e desenvolver mecanismos de proteção contra eles.

Em pessoas imunossuprimidas, esse processo pode ocorrer de maneira menos eficiente, porque determinadas doenças e medicamentos interferem na produção de anticorpos e na atividade das células de defesa.

Isso não significa que a vacinação seja inútil durante a imunossupressão. Muitas vacinas continuam oferecendo benefícios importantes, mesmo quando a resposta imunológica é reduzida.

A intensidade dessa redução depende principalmente de três fatores: a doença responsável pela imunossupressão, o tipo de tratamento utilizado e o momento em que a vacina é administrada.


O tipo de medicamento influencia a resposta às vacinas?

Sim. Diferentes medicamentos imunossupressores interferem em componentes distintos do sistema imunológico.

O rituximabe, por exemplo, reduz a quantidade de determinados linfócitos B, células importantes para a produção de anticorpos. Por isso, pacientes que recebem esse medicamento podem apresentar uma resposta reduzida a algumas vacinas, especialmente quando são administradas pouco tempo após a infusão.

Outros medicamentos, como metotrexato, micofenolato, corticosteroides e determinados imunobiológicos, também podem modificar a resposta vacinal, embora seus efeitos variem conforme a dose, a duração do tratamento e a combinação de medicamentos.

Em algumas situações, o médico pode recomendar ajustes no momento da vacinação para melhorar a resposta imunológica.

Esses ajustes precisam considerar o risco de reativação ou agravamento da doença de base. O paciente não deve interromper medicamentos imunossupressores por conta própria para receber uma vacina.


É melhor tomar as vacinas antes de iniciar um imunobiológico?

Sempre que possível, a situação vacinal deve ser avaliada antes do início do tratamento com imunobiológicos ou outros medicamentos imunossupressores.

Essa avaliação permite identificar vacinas pendentes e programar sua aplicação em um período no qual o sistema imunológico tenha maior capacidade de responder.


De maneira geral, recomenda-se administrar:

  • Vacinas inativadas: preferencialmente pelo menos duas semanas antes do início da imunossupressão.

  • Vacinas vivas atenuadas: geralmente pelo menos quatro semanas antes do início do tratamento, quando forem indicadas e não houver contraindicações.

Esses intervalos podem variar conforme o medicamento e a condição clínica.

Em situações nas quais o tratamento precisa ser iniciado com urgência, a imunossupressão não deve ser adiada automaticamente para completar o calendário vacinal. A decisão deve considerar os riscos envolvidos.

Mesmo quando não é possível atualizar todas as vacinas antes do tratamento, ainda pode haver oportunidades de vacinação durante o acompanhamento.

Linha do tempo mostrando avaliação vacinal, aplicação de vacinas e início do tratamento com imunobiológicos.
Sempre que possível, a vacinação deve ser planejada antes do início da imunossupressão.

Quais vacinas podem ser aplicadas durante a imunossupressão?

Uma das distinções mais importantes na vacinação em pessoas imunossuprimidas é a diferença entre vacinas não vivas e vacinas vivas atenuadas.


  • Vacinas não vivas:

Incluem vacinas inativadas, recombinantes e outras que não contêm microrganismos vivos capazes de se multiplicar. Em geral, podem ser administradas durante a imunossupressão, embora a resposta possa ser menor.

Entre elas estão as vacinas inativadas contra influenza, as vacinas pneumocócicas, as vacinas contra hepatite B e HPV e a vacina recombinante contra herpes-zóster.

Elas não provocam infecção pelo agente contra o qual oferecem proteção.

O principal cuidado durante a imunossupressão é avaliar se a resposta será suficiente e se existe necessidade de doses adicionais, reforços ou acompanhamento específico.


  • Vacinas vivas atenuadas:

Contêm microrganismos enfraquecidos que ainda conseguem se multiplicar de maneira limitada. Em pacientes com imunossupressão significativa, podem representar risco e geralmente são contraindicadas.

Entre as vacinas vivas atenuadas estão a tríplice viral, a vacina contra varicela, a vacina contra febre amarela e a BCG.

Essas vacinas são geralmente evitadas em pacientes com imunossupressão importante, devido ao risco de multiplicação do microrganismo vacinal e desenvolvimento de doença.

A contraindicação, entretanto, depende do tipo e da intensidade da imunossupressão. Existem situações específicas nas quais determinadas vacinas vivas podem ser consideradas após avaliação especializada.

A vacina contra febre amarela merece atenção especial em pessoas que vivem ou pretendem viajar para regiões com recomendação de vacinação. Quando existe contraindicação, a avaliação médica deve considerar o risco de exposição e as medidas alternativas de prevenção.


Quais vacinas merecem atenção especial nos imunossuprimidos?

Algumas infecções apresentam maior relevância clínica em pessoas imunossuprimidas, seja pelo risco de complicações, seja pela possibilidade de prevenção por meio da vacinação.


Vacina contra herpes-zóster

O herpes-zóster ocorre pela reativação do vírus varicela-zóster, que permanece no organismo após a infecção inicial.

Pessoas imunossuprimidas apresentam maior risco de desenvolver a doença e algumas de suas complicações, incluindo neuralgia pós-herpética, uma condição caracterizada por dor persistente após o desaparecimento das lesões.

A vacina recombinante contra herpes-zóster é uma vacina não viva e pode ser indicada para adultos imunossuprimidos, inclusive antes da idade habitualmente recomendada para a população geral.

O momento da vacinação deve ser planejado conforme o tratamento e a capacidade esperada de resposta imunológica.


Vacina contra pneumococo

O pneumococo é uma bactéria capaz de causar pneumonia, meningite e infecções da corrente sanguínea.

Pessoas com determinadas imunodeficiências, doenças hematológicas, ausência de baço ou em uso de tratamentos imunossupressores podem apresentar risco aumentado de doença pneumocócica invasiva.

Existem diferentes vacinas pneumocócicas, e a escolha do esquema depende da idade, das condições clínicas e das doses recebidas anteriormente.

Por esse motivo, a avaliação do histórico vacinal é indispensável antes de definir quais doses serão necessárias.

Vacina contra influenza

A influenza pode causar infecções respiratórias graves, especialmente em pessoas com fatores de risco.

A vacinação anual é recomendada para pessoas imunossuprimidas, utilizando formulações inativadas.

Em determinados grupos, como receptores de transplantes, podem ser consideradas estratégias específicas para melhorar a resposta vacinal, de acordo com as recomendações aplicáveis.

A vacinação dos familiares e das pessoas que convivem com o paciente também contribui para diminuir a exposição ao vírus.


Vacina contra HPV

A infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) está associada ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, incluindo câncer do colo do útero, ânus e orofaringe.

Pessoas imunossuprimidas podem apresentar maior dificuldade para eliminar o vírus e maior risco de persistência da infecção.

A vacinação contra HPV é especialmente importante em grupos com indicação específica, como pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes com câncer, respeitando os critérios de idade e os esquemas recomendados.

A vacina não trata infecções já existentes, mas contribui para prevenir novas infecções pelos tipos de HPV contemplados em sua composição.


Quem faz quimioterapia ou transplante precisa de um calendário diferente?

Sim. Algumas condições exigem esquemas de vacinação específicos e, em determinados casos, a repetição de vacinas previamente recebidas.

Durante a quimioterapia, a capacidade de resposta às vacinas pode ficar reduzida. Dependendo do tratamento e do risco de exposição, a vacinação pode ser programada antes, durante ou após sua conclusão.

Nos transplantes de órgãos sólidos, o calendário precisa considerar tanto a imunossupressão utilizada quanto o período após o transplante.

Já nos transplantes de células-tronco hematopoéticas, conhecidos como transplantes de medula óssea, pode ocorrer perda importante da imunidade adquirida anteriormente. Por isso, muitos pacientes precisam reiniciar um esquema de vacinação específico após o procedimento.

As vacinas não vivas podem começar a ser administradas em diferentes momentos da recuperação imunológica, enquanto vacinas vivas exigem critérios mais rigorosos.

Essas situações demonstram por que não existe um único calendário adequado para todas as pessoas imunossuprimidas.


A pessoa imunossuprimida precisa repetir alguma vacina?

Em determinadas situações, sim.

Alguns tratamentos podem reduzir significativamente a resposta imunológica às vacinas. Em outros casos, a imunidade adquirida anteriormente pode diminuir após tratamentos intensivos, como o transplante de células-tronco hematopoéticas.

Dependendo da vacina e da condição clínica, o médico pode recomendar doses adicionais, reforços ou a repetição de um esquema vacinal.

Para algumas doenças, como hepatite B, exames de sangue podem ajudar a verificar se houve produção de anticorpos em níveis considerados protetores.

Entretanto, essa estratégia não se aplica a todas as vacinas. A ausência de anticorpos detectáveis em determinado exame também não significa, necessariamente, ausência completa de proteção imunológica.

A decisão de solicitar exames ou repetir doses deve considerar as recomendações específicas para cada vacina.


Os familiares de pessoas imunossuprimidas também precisam estar vacinados?

Sim. Manter a vacinação dos familiares e contatos próximos atualizada é uma medida importante para reduzir a circulação de agentes infecciosos no ambiente domiciliar.

Essa proteção indireta é especialmente relevante quando o paciente apresenta resposta vacinal reduzida ou não pode receber determinadas vacinas.

Em geral, os contatos domiciliares devem seguir as recomendações de vacinação correspondentes à sua idade e condição clínica.

Algumas vacinas vivas podem ser administradas com segurança aos contatos de pessoas imunossuprimidas, mas existem cuidados específicos em determinadas situações. Um exemplo é a higiene rigorosa após a troca de fraldas de crianças que receberam a vacina contra rotavírus.

A orientação deve considerar o grau de imunossupressão do paciente e o tipo de vacina administrada ao familiar.


Como organizar o calendário de vacinação durante o tratamento?

O primeiro passo é reunir o histórico de vacinação, incluindo registros da infância, doses de reforço e vacinas recebidas em serviços públicos ou privados.

A partir dessas informações, o médico poderá avaliar quais vacinas estão pendentes, quais são prioritárias e qual o melhor momento para administrá-las.

Essa avaliação também deve considerar o diagnóstico, a intensidade da imunossupressão, os medicamentos em uso e possíveis mudanças previstas no tratamento.

No Brasil, os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) oferecem acesso a imunobiológicos para pessoas que apresentam condições clínicas específicas, conforme os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.


Quando procurar um infectologista para avaliar a vacinação?

A avaliação com infectologista pode ser especialmente útil quando existem dúvidas sobre a segurança das vacinas, necessidade de esquemas especiais ou dificuldade para definir o melhor momento da vacinação.

Isso inclui pacientes que estão prestes a iniciar medicamentos imunobiológicos, pessoas submetidas a transplantes, pacientes em quimioterapia e indivíduos com imunodeficiências.

A consulta também pode ser importante quando o histórico vacinal está incompleto ou quando existe indicação de uma vacina viva em uma pessoa com algum grau de imunossupressão.

O objetivo é elaborar um planejamento que considere os riscos infecciosos, o tratamento em curso e as recomendações de vacinação mais adequadas para cada situação.


Precisa revisar suas vacinas?

Uma avaliação com infectologista pode ajudar a identificar vacinas pendentes, esclarecer contraindicações e organizar um calendário adequado à sua condição clínica.



Perguntas frequentes sobre vacinação em pessoas imunossuprimidas

Sim. Muitas vacinas podem ser administradas durante o tratamento com imunobiológicos, especialmente as vacinas não vivas. Entretanto, o tipo de medicamento pode interferir na resposta imunológica e algumas vacinas exigem planejamento específico.

Pode, mas raramente e, em geral, de forma leve e transitória. No conjunto, as evidências não mostram aumento do risco de agudização da doença autoimune com as vacinas de uso comum.

Em muitas situações, sim. A administração simultânea de diferentes vacinas pode ser realizada conforme as recomendações técnicas. Algumas combinações e intervalos exigem atenção especial, principalmente quando envolvem vacinas vivas.

Sim, mas a dose, a duração e a via de administração do corticosteroide influenciam a avaliação. O uso prolongado de doses elevadas de corticosteroides sistêmicos pode contraindicar temporariamente determinadas vacinas vivas.

Não. A vacinação reduz o risco de infecções e complicações, mas a proteção pode ser menor em pacientes com imunossupressão importante. Por isso, medidas adicionais de prevenção continuam sendo necessárias.


O que considerar antes de atualizar suas vacinas?

A vacinação em pessoas imunossuprimidas exige atenção às características da doença, aos medicamentos utilizados e ao histórico de imunização.

As vacinas não vivas geralmente podem ser administradas com segurança, enquanto as vacinas vivas precisam de avaliação criteriosa. Sempre que possível, a atualização do calendário deve ocorrer antes do início da imunossupressão, mas também existem oportunidades de vacinação durante o tratamento.

Um planejamento individualizado permite identificar vacinas prioritárias, evitar contraindicações e melhorar as possibilidades de proteção contra infecções.

Se você utiliza medicamentos imunossupressores ou está prestes a iniciar um tratamento que interfere no sistema imunológico, uma avaliação especializada pode ajudar a organizar seu calendário vacinal com segurança.


Referências

  1. Nellore A, Goepfert P, Tan CS, et al. IDSA 2025 Guidelines on the Use of Vaccines for the Prevention of Seasonal COVID-19, Influenza, and RSV Infections in Immunocompromised Patients. Clinical Infectious Diseases. 2026.

  2. Lopez A, Mariette X, Bachelez H, et al. Vaccination Recommendations for the Adult Immunosuppressed Patient: A Systematic Review and Comprehensive Field Synopsis. Journal of Autoimmunity. 2017.

  3. Kamboj M, Bohlke K, Baptiste DM, et al. Vaccination of Adults With Cancer: ASCO Guideline. Journal of Clinical Oncology. 2024.

  4. Kotton CN, Kroger AT, Freedman DO. Immunocompromised Travelers. CDC Yellow Book. 2025.

  5. Bass AR, Chakravarty E, Akl EA, et al. 2022 American College of Rheumatology Guideline for Vaccinations in Patients With Rheumatic and Musculoskeletal Diseases. Arthritis & Rheumatology. 2023.

  6. Otero-Romero S, Lebrun-Frénay C, Reyes S, et al. ECTRIMS/EAN consensus on vaccination in people with multiple sclerosis. Multiple Sclerosis. 2023.


Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação médica individualizada. A indicação, os intervalos e a disponibilidade das vacinas devem seguir as recomendações vigentes e considerar as condições clínicas de cada paciente.




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